Wednesday, 21 January 2009
Tuesday, 20 January 2009
Para quem não tem pressa de viver
e não é quando a gente se distrai que a vida acontece?
foi assim que ela se apaixonou por ele.
num final de tarde,
ela que habitualmente vivia olhando para o chão na captura de seus pensamentos que insistiam em se esparramar pelo passeio, naquele fim de tarde reparou em algo que até então não havia notado, sua pele estava mudando de cor, mas sabia que não era exatamente sua pele que mudara, ela apenas refletia uma outra mudança...
dizem que mudanças refletem algo, dizem...não sei, só ouvi falar.
ela então mudou a direção do olhar a procura do que provocara aquele efeito, foi quando o viu pela primeira vez...
ele perdido no horizonte, sozinho, calmo, foi se despedindo dela como se a conhecesse, ia não querendo ir.
após alguns minutos de contemplação ele se foi. Seu brilho saiu da pele dela.
Ela agora não olhava mais para o chão, porque seus pensamentos estavam naquele horizonte.
Estava perdida, perdidamente apaixonada.
Nunca entendi a contradição de juntar na mesma expressão as palavras "perdidamente" e "apaixonada".
Quem se apaixonada não se encontra mais? Não encontra o outro? Perde o que afinal?
Só sei que ela assim estava, e por isso voltou lá no dia seguinte, e no outro também, e todas as tardes naquele mesmo horário eles pontualmlente se despediam.
Ela então telepaticamente se comunicou com um grande amigo que morava bem do outro lado de lá, contando toda a sua história de amor revelou que todos os dias eles se encontravam, que ele vivia para o seu olhar e ela irradiava quando o encontrava. Que todas as tardes ele se recolhia cedo para estar pronto para ela na manhã seguinte.
Seu amigo sem querer "tapar o sol com a peneira" foi honesto, e tentando não magoa-la lhe disse que ele sempre no mesmo horário aparecia pelos lado de lá, por isso todas as tardes ele tinha que se despedir dela.
Ela ficou magoada. Sentiu um gosto amargo na boca, uma pontada no peito e um torcer no estômago, mas lembrou que nunca trocaram palavra. Que tudo que sabia dele, ela mesmo imaginara ao sabor de sua admiração. Nada foi prometido, nada foi combinado.
Seu amigo sentiu-se a vontade também para revelar a sua grande paixão. Ele disse que se apaixonou quando estava distraído com uma borboleta que cambaleava e desde então passavam quase todas as noites juntos. Que por vezes ela se revelava completamente, e em outras ocasiões apenas se insinuava, não aparecia por algumas noites e não mandava recado, mas isso não era um problema, porque ela sempre voltava. E finalizou a comunicação dizendo "acabamos de nos despedir, ela vai repousar para me encontrar amanhã". Ouvindo aquilo, a amiga olhou para o horizonte e a reconheceu, preferiu não dizer a ele que sempre que se despedia dele, ela também não se recolhia...achou melhor acabar a conversa com apenas a sua desilusão, mas passou a noite inteira espionando para descobrir com quem ela se encontrava nos lados de cá.
PS.: AGORA VOLTE E VEJA O VIDEO INTEIRO, de preferência com uma música que goste muito.
Marseille Dec. 2008 - Paris Jan.2009
Sunday, 18 January 2009
CRIANÇAS CHILDREN - They are poetry
que frequenta com ela a pré-escola.
Pede trança no cabelo e quer que seja colorida.
Imita também meu jeito de falar, ao responder "sim"
não fala "oui" mas "yep".
Se tocar uma música
elas vão dançar.
não pra mim, nem para os outros...
mas para elas.
Mais uma brincadeira.
Se percebem a platéia, gostam
quando constrangidas, páram
mas recomeçam assim que esquecem
e esquecer para elas é materia fácil.
porque vivem para o agora.
ainda não se imaginam com 10 anos ou mais
e o passado é tão curto que não tem muito para lembrar.
Que bom que a gente cresce
e continua fazendo criança.
Bons dias!!!
(Machado de Assis)
Monday, 12 January 2009
Conversa com o escritor Robert e traduçao de Aurelia Celurei - 04.01.2009 França
AS ASAS DO PÁSSARO
A RAIZ DA ÁRVORE
Ela finaliza: "Duas pessoas que não podem ficar juntas, mas que se amam"
Existe outra alternativa para eles?
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Monday, 3 November 2008
butterfly on joy and sorrow
I gave butterMai to her - my first poem in English don´t mind
You can!
don´t give up anyway
tomorrow is another day.
Your are a butterfly ------------------------------------www.maimurata.com/
Here is your garden
Fly - Sounds good
Lay - Smells good
Hi - we are flowers and wood!
end Mai gave me it
On Joy and Sorrow by Kahlil Gibran
Your joy is your sorrow unmasked.
And the selfsame well from which your laughter rises was oftentimes filled with your tears.
And how else can it be?
The deeper that sorrow carves into your being, the more joy you can contain.
Is not the cup that holds your wine the very cup that was burned in the potter's oven?
And is not the lute that soothes your spirit the very wood that was hollowed with knives?
When you are joyous, look deep into your heart and you shall find it is only that which has given you sorrow that is giving you joy.
When you are sorrowful, look again in your heart, and you shall see that in truth you are weeping for that which has been your delight.
Some of you say. 'Joy is greater than sorrow', and others say, 'Nay, sorrow is the greater.'
But I say unto you, they are inseparable.
Together they come, and when one sits alone with you at your board, remember that the other is asleep upon your bed.
Verily you are suspended like scales between your sorrow and your joy.
Only when you are empty are you at standstill and balanced.
When the treasure-keeper lifts you to weigh his gold and his silver, needs must your joy or your sorrow rise or fall.
Monday, 20 October 2008
God by Ganesha!!!
E ontem era lá que eu estava, na Celebração do Diwali em Londres, uma vez que aqui há uma das maiores comunidades indianas fora da India.
E ele de novo...lá...sentado em padmasána. Nosso encontro nunca é casual. Ele sempre diz o que quer e eu nunca o procuro... porque ele sempre vem ao meu encontro.
Um sempre no caminho do outro. Quando está no caminho, está. Não há com o que se preocupar. Quando não está say goodbye e Viva Ganesha!!!!
God by Ganesha
Tuesday, 14 October 2008
Silhueta - rascunhos de Alice
Minha vida só tem
Com licença e sinto muito
Eu espero do desconhecido
Que ao acaso esbarra em mim
E ainda nem sabe meu nome.
Picture by Andre Moncaio www.flickr.com/andremoncaio
Don’t make excuses to touch me,
Take me by the nape of the neck and kiss my mouth,
Taste the heat of my body,
Without fear of getting burnt
Don’t make excuses to call me,
Don’t look at the clock, you can wake me,
Awaken me to hear you say what you feel,
Your truthfulness is what I want from you
Don’t make excuses to meet me,
The meeting has already happened,
I know that you exist and you know that I am here
Don’t make excuses that I don’t know how to wait,
My life only has 24 hours each day
Excuse me and I’m sorry,
Is what I expect from a stranger,
Who accidentally bumps into me,
And doesn’t even know my name
Tuesday, 7 October 2008
Ainda sobre o Hoje Still on Today
http://www.flickr.com/photos/plotzki/2385523328/

Naquela tarde sem nada para fazer, ele parou em frente à vitrine da loja. Ele com sua calça jeans de todo o dia, camiseta branca...E a cena que segue:
Sunday, 5 October 2008
A capa que a protegia

Toda mocinha de contos de fada vive geralmente em um mundo encantado. Em um mundo encantado tudo é possível. A moça decidiu que passaria uns tempos no mundo dos sonhos...sonhos distantes.
A moça foi sozinha. Diferente das mocinhas de contos de fada, não esperava príncipes. Amazona desde criança, tinha o dominio de seu cavalo e da espada. Aprendeu a usa-la cedo. Mas para o mundo encantado ela foi sozinha. Pela primeira vez realmente sozinha.
Sua capa protetora, que sempre a livrou de apuros, perdeu suas propriedades. A menina começou a sentir coisas que os humanos passionais sentem. Suas próprias reações começaram a assusta-la. A menina perdeu o domínio da situação. Buscou respostas em seus arquivos, mas como nunca havia lidado com isso, não encontrou.
A menina não sabe o que fazer. Esta longe, está perdida.
A menina não sabe nada de reinos encantados. Só sabe que vai ter que sair dele rapidamente.
Mesmo não funcionando, ela ainda tem sua capa. Quem sabe com alguns ajustes...Quem sabe a menina se ajuste.
Monday, 29 September 2008
HOJE É TUDO
Sunday, 28 September 2008
de Niro e Bardot


Abrimos com mesa de bar.
Alguém fuma aqui ?
NARRADORA
Só a Brigitte
DE NIRO
Você cederia um dos seus cigarros?
BRIGITTTE
Só tenho um. E tu sabe o que significa o último cigarro. Mas se tu não te importa posso dividir contigo.
Brigitte e de Niro no corredor. Dividem o último cigarro.
Brigitte e de Niro dividem pessoalidades e enquanto dividem se fundem.
Brigitte toca piano. Brigitte toca de Niro.
De Niro esbanja carisma, de Niro desmancha Brigitte.
O cigarro acaba. A noite começa.
Sem roteiro De Niro e Brigitte improvisam.
O dialogo não é em ingles. O diálogo não é em francês.
A língua é aquela em que as reticèncias dão lugar à exclamação.
NARRADORA
Na noite eu assistia a festa. E o encontro de Brigitte com de Niro foi surpreendente. Foi simples. Foi assim. Brigitte sem personagem e de Niro também. De Niro e Brigitte são tão verdadeiros que o roteiro passa a não importar. Não estou ansiosa para saber como a história termina. Não importa se o mocinho é mocinho, se vai haver um vilão. Não importa. Assistindo de Niro e Brigitte percebo que a história pode sempre (re) começar. E melhor assim: de Niro sendo ele mesmo e Brigitte também. Eles são mais interessantes do que qualquer personagem que se possa criar.
EXT. – RUA EM LONDRES- MADRUGADA
De Niro se despede de Brigitte. Os lábios despedem-se unindo-se. Os braços enlaçam os corpos. Os caminhos são diferentes, mas o desejo é o mesmo, desejo dos corpos esquecerem-se um no outro. Adormecerem unidos sem pressa de acorda.
Os corpos distanciam-se e entre eles uma pausa que abre espaço para a dúvida.
Brigitte segue seu caminho pensando
De Niro segue seu caminho pensando
Narradora segue seus caminhos...
Do primeiro andar do onibus narradora observa a rua.
Subjetiva de uma estrada sem fim.
p.s: A roteirista não cria nada, apenas aguarda as próximas improvisações. Sem data para estréia.
Saturday, 27 September 2008
Luciana numa noite de sábado

Luciana, numa noite de sábado, envia a mensagem abaixo para seus amigos. Mario quintana numa noite de sábado fala por Luciana...Luciana fala para nós...por nós...
...Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquele alguém que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente não é o "alguém" da sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você !!!...
(Mario Quintana)
Friday, 26 September 2008

boa quarta quinta sexta e...bacio.
Alexandre Brito é poeta e generosamente me presenteia com seus escritos. Mais dele em:
http://www.alexandre-brito.blogspot.com/
Tuesday, 23 September 2008
Que cor tem Londres? - Identidade parte I

Eu aqui estudando inglês, lamento por não tê-lo ainda na ponta do ouvido.
Em Brixton, um dos bairros “negros” de Londres, vejo uma cena que dispensa o entendimento da língua.
Duas garotas brancas bebendo coca-cola e rindo muito. De repente um homem negro que estava ao lado segurando uma cadeira de rodas começa a esbravejar. Furioso, dispara uma rajada de palavras que meu parco vocabulário não permite reconhecer. Mas uma frase eu entendi, talvez pelo número de vezes que ele a pronunciou:
black and white
As garotas pararam de rir e de tomar sua coca-cola. Também não lhe responderam nada, assim como os outros presentes, apenas ouviram, um pouco assustadas. Um rapaz negro que passava pareceu defende-las e trocou alguns insultos com o senhor, mas apenas passou. Elas brancas , o homem negro e eu continuamos ali. E a frase que se repetia:
black and white black and white black and white
Lembrei de Gilberto Freire e o vídeo que assisti no Brasil pouco antes de vir pra ca “Nosso povo brasileiro”. Fiquei curiosa para saber: quando ele olha pra mim o que vê – uma branca ou uma negra. Quando as louras inglesas olham para mim o que enxergam?
Tenho uma amiga da minha cor, que diz que sou negra, mas ela não. Tenho uma amiga gaúcha de olhos azuis que me chama de louca quando eu digo que sou pretinha. Ela imediatamente me corrige dizendo que sou muito é branca...
Descobri que você pode dizer o que quiser, mas a sua cor só os outros enxergam.
Jacson, respondendo a sua pergunta, Londres tem todas as cores, mas elas não se misturam como no Brasil.
Sunday, 7 September 2008
ELA é brasileira - SHE is brazilian
ELA secava a louça, e sem mais interrompeu o silêncio da sua ação inquirindo-me:
- O que precisa para ser prefeita?
Acho que minha expressão de “hein?” não lhe deixou dúvidas e ELA se adiantou:
- Precisa fazer algum curso? – meio desconsertada com a pergunta que não entendia muito bem de onde vinha respondi:
- Não necessariamente. O partido deve fazer eleições internas para escolher seu candidato. Não precisa ter nível superior...
- Assim como o Lula.
- É. Como o Lula.
ELA continuou secando a louça, só que agora ainda mais imersa em seus pensamentos.
Achei melhor não perguntar nada. ELA precisava daquele tempo para elaborar suas idéias.
No dia seguinte, eu e ELA, fomos juntas à Brixton. Enquanto meu olhar de recém chegada apreciava a paisagem do primeiro andar do ônibus londrino, ELA pensava. Novamente ELA cortou o silêncio, só que dessa vez não com uma pergunta:
- Se eu fosse prefeita no Brasil, eu acabaria com as favelas e criança não pagaria ônibus, assim como em Londres, porque criança não trabalha...
Entendi a pergunta da noite anterior. “Criança não trabalha aqui, mas no Brasil trabalha, é um indivíduo economicamente ativo, infelizmente”, pensei em lhe dizer, mas preferi continuar escutando .
ELA tem 14 anos e está fora do Brasil há três. É a terceira filha de uma família de cinco irmãos e uma das melhores alunas do colégio em que estuda. Aqui ajuda a família como interprete, pois seus pais não falam inglês, e como a maioria dos brasileiros que aqui estão, vieram em busca de melhores condições de vida e não pensam em voltar tão cedo, porque acreditam que aqui os filhos terão mais chances.
Se ELA ainda morasse em sua terra natal, estaria vivendo em São Matheus, zona leste. Pegando ônibus e trem super lotados - e pagando por isso! - estudando em escola pública, como em Londres, mas neste caso faz diferença significante o que é público aqui do que é lá.
ELA em algumas outras ocasiões mostrou interesse por assuntos políticos e diz não se conformar com as pessoas que não pensam nesses assuntos e só querem se divertir.
ELA sabe que o jardim do Brasil é tão fértil quanto o da Inglaterra, mas aqui ELA recebeu ferramentas e está aprendendo a usar, o que também faz uma diferença significante.
Infelizmente não votarei nas eleições municipais, pois estou em Londres com visto de turista, mas se pudesse, certamente votaria n´ELA.
- What do you need to become mayor?
I think that the "eh?" painted on my face was pretty self-explanatory and SHE came closer:
- Do you need to take a course of some kind? – thrown off by the question since I did not know exactly where it came from, I answered:
- Not necessarily. The party needs to perform internal elections to choose its candidate. You don’t need to have a university degree…
- Just like Lula?
- Exactly. Like Lula.
SHE continued to dry the dishes, only now even more immersed in her thoughts. I thought it best not to ask anything. SHE needed the time to elaborate her ideas. The next day, SHE and I went together to Brixton. Whilst my gaze, as a new arrival, appreciated the landscape from the upper deck of the London bus, SHE was deep in thought. Once again SHE cut the silence, but this time not with a question:
- If I were mayor in Brazil, I would put an end the shanty towns and children would not pay bus fares, just like in London, because children do not work... Now I understood the question from the previous night. "Children do not work here, but in Brazil they work, as they are economically active individuals, unfortunately", I thought to tell her, but decided it was better to continue listening. SHE is 14 years old and has been outside of Brazil for three. She is the third daughter of a family of five siblings and one of the best students at the college where she is studying. Here she helps the family as an interpreter, since her parents do not speak English, and like the majority of Brazilians here, they came in search of better living conditions and are not thinking of going back any time soon, because here they believe that the kids will have more opportunities. If SHE still lived in her birthplace, she would be living in Saint Matheus, in the east zone. Catching crammed buses and trains - and paying for it! - studying in a public school, like in London, however there’s a significant difference between what’s public here and there. On various occasions, she has shown interest in political matters and does not get along with people that do not consider those matters and just want to enjoy themselves. SHE knows that Brazil’s garden is just as fertile as England’s, but here SHE has gained tools and is learning how to use them, which also makes a significant difference. Unfortunately I will not vote in the municipal elections, I am in London, but if I could, I would surely vote for HER.
